CRÍTICA - Silent Hill 3


Crítica redigida originalmente por James em outubro de 2012, como parte de uma série de postagens sobre os jogos e o filme. Está sendo republicada aqui em 7 de fevereiro de 2026.



Silent Hill 3 foi lançado em 2003, também dois anos após a versão anterior. Foi o primeiro da série a não contar integralmente com o famoso Team Silent, pois um dos criadores dos primeiros, Takayoshi Sato (responsável, entre outros, pelas CGs e pelos roteiros), deixou a equipe alegando divergências entre interesses com a Konami. Isso não significou o fim da série, aliás, bem longe disso. O time continuou a participar da produção, inclusive contando com o próprio Akira Yamaoka (não sei o que ele sabe sobre produção de jogos, mas quem sou eu para questionar...).

A nova versão apresentou, pela primeira vez, uma música cantada na abertura. You're Not Here marcou o início da participação de Mary Elizabeth McGlynn, famosa dubladora e vocalista, nas músicas de Akira Yamaoka. Sua voz aparece durante toda a trilha sonora do jogo, que comentarei mais à frente.

Percebemos na abertura que temos agora uma personagem feminina, Heather. Com seus 17 anos, Heather é uma garota comum que visita o shopping da cidade onde mora (ela não mora em Silent Hill). Em sua visita ela encontra um detetive que diz ter informações importantes sobre o nascimento dela. Heather, desconfiada, foge do tal detetive e encontra uma mulher, Claudia, que lembra muito Dahlia (do primeiro jogo), pois fala em enigmas e parece profetizar sobre Heather. Após esse encontro, Heather acaba entrando sem querer no mundo obscuro de Silent Hill. Daí em diante a trama segue o padrão, mostrando mais alguns personagens que também parecem saber sobre o passado de Heather, mas não querem explicar a ela por que tudo está tão estranho. Mais comentários resultariam em spoilers enormes, então já sabem...

Os gráficos ficaram ainda melhores, com mais resolução, e o departamento de arte do jogo esbanjou criatividade. Silent Hill 3 é considerado como o mais bonito graficamente, usando de técnicas incríveis para tornar a atmosfera do jogo (ainda) mais claustrofóbica e opressiva. São cenários escuros e cheios de grade e ferrugem (seguindo os modelos do primeiro) com outros totalmente destruídos e sujos (assim como no segundo). Alguns dos cenários, especialmente os do Hospital, lembram muito o filme Jacob's Ladder/Alucinações do Passado (uma das maiores influências de todos os Silent Hill). Como se não fosse o bastante, há várias imagens perturbadoras em quadros ou figuras nas paredes. Até mesmo as telas de loading são estranhas, mostrando texturas parecidas com sangue em movimento.

Os cenários não foram assim tão diversificados, uma vez que Heather volta à cidade. Alguns dos locais apresentados em Silent Hill 2 estão de volta, porém com novas criaturas (algumas não tão novas assim) e com um visual repaginado. Há também cenários novos que chegam a mostrar nas paredes uma textura que lembra sangue fluindo (é bastante perturbador). Muitas outras técnicas foram usadas, mas é jogar para ver. Prestem atenção nas cenas onde ocorre a transição para o Outro Mundo (sim, ela está de volta!), algumas delas chegam a dar calafrios até nos jogadores mais acostumados. E babem na atmosfera bizarra quando tudo muda.

A jogabilidade não mudou muito, apenas ficou mais fácil derrotar os inimigos, já que Heather conta com mais armas que qualquer outro protagonista anterior. Isso não significa necessariamente mais munição nem que ela tenha controle total das armas, também é perceptível que nunca foi treinada. Você continua podendo fugir dos inimigos ao invés de matá-los e a quantidade de armas disponíveis não torna mais fácil essa tarefa. Armas novas (e mais legais!) são liberadas quando se termina o jogo atendendo a determinados requisitos. Lanterna e rádio? É claro, velhos companheiros de batalha, com a mesma utilidade!

Os inimigos são um show à parte e, ao mesmo tempo, um dos pontos considerados fracos. Mais uma vez, unem o melhor dos dois primeiros jogos: criaturas grotescamente distorcidas, emitindo sons bizarros e de aparência assustadora. As famosas Enfermeiras/Nurses estão de volta, com aparência levemente modificada. Há criaturas enormes que bloqueiam a passagem e outras que se assemelham a uma massa cancerígena. O destaque fica por conta do Valtiel, que persegue Heather por quase todo o jogo Pyramid Head, oi?. Não poderia deixar de citar também Robbie, o coelhinho rosa, mascote do parque de diversões do jogo (sem fotos dele para não estragar a graça de quem ainda não jogou ;D). O único problema das criaturas é que a minoria delas tem um significado mais profundo, como era de costume nos dois primeiros jogos.

Os enigmas voltam a ter seleção de dificuldade separada da jogabilidade. Quanto maior a dificuldade, mais complicada a explicação para chegar à resposta. Jogar com os enigmas no Hard é quase frustrante, pois os que perguntam sobre contos de fadas dos EUA, obras de Shakespeare, mitologia e até mesmo Tarô mostram textos tão confusos que os jogadores sem muita intimidade com o inglês não entenderão. Nada que uma busca na internet não resolva, mas é muito mais legal tentar resolvê-los sem ajuda. Desta vez o enigma da biblioteca na dificuldade mais alta consegue superar (e muito) o famigerado enigma do piano do primeiro jogo.

A trilha sonora de Akira Yamaoka com Mary Elizabeth McGlynn conta com várias músicas cantadas, melódicas e tristes em sua maioria. Não esqueça, é claro, das músicas e sons perturbadores, ainda mais originais que as anteriores. São atmosferas que se assemelham a um coração pulsante, gritos e grunhidos distorcidos e com eco. O tradicional, porém sem cair na repetição.

Os chefes de fase começam a seguir a tendência da época, ficando cada vez maiores, mas não impossíveis de serem derrotados. As músicas-tema dos chefes são memoráveis, e garanto que todos os jogadores vão ficar com ambos na cabeça (o visual dos chefes e as músicas que tocam nas batalhas).

Os diálogos não melhoraram muito, continuam sem muita emoção, especialmente determinada parte onde Heather chora (é uma das interpretações de choro mais fracas de todos os jogos). Certas frases são ditas "no calor do momento", mas sem calor algum, como se não tivessem impacto.

Silent Hill 3 tem "apenas" quatro finais, contrastando com o antecessor que chegou a ter até sete. Um dos finais é simples e "engraçadinho", mas não chega a ser marcante. Já o outro... E, claro, temos também o final OVNI para rir um pouco. Há ainda a adição de algumas cenas e itens com referências a outros jogos da franquia, os famosos easter eggs escondidos pelo jogo.

No geral, a terceira versão da série vem para tentar explicar muitas coisas dos jogos anteriores, mas também cria outras dúvidas. Isso não é ruim, uma vez que uma obra que não explica tudo é muito mais interessante que outra com todo o contexto explicado nos mínimos detalhes. É viciante assim como os outros, principalmente pelo visual opressivo quase o tempo todo. Quem jogou o primeiro com certeza vai querer jogar o terceiro, pois dizem ser uma continuação direta. Sendo ou não, vale muito a pena!


Voltar